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Como é ser analfabeta na China

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05.06.2026

Por Iara Vidal - Eu tenho 52 anos. Sou jornalista. Escrevo há décadas. Vivo das palavras. E, aqui na China, sou uma analfabeta. Não analfabeta em sentido figurado. Analfabeta mesmo.

Moro em Beijing há pouco mais de seis meses e comecei, há apenas duas semanas, meu curso de mandarim na Beijing Foreign Studies University (BFSU). Ainda estou engatinhando no aprendizado desse novo idioma.

Ao longo dessa minha nova vida por aqui, embora consiga me virar com aplicativos de tradução, continuo incapaz de ler placas, acompanhar uma conversa rápida na rua ou compreender o que um atendente tenta me dizer quando algo foge do roteiro esperado.

A primeira vez que me senti analfabeta

Durante minha primeira visita à China, em 2022, numa ida solitária ao mercado, foi a primeira vez que me percebi como uma “analfabeta” diante de uma língua e de um sistema que eu não dominava.

A experiência, atravessada por cansaço físico, dor e angústia, me levou a refletir sobre a exclusão vivida por pessoas não alfabetizadas e sobre como, hoje, o exercício da cidadania também exige acesso à tecnologia e inclusão digital.

A partir disso, contrastei os avanços chineses nessa área com o abandono da educação pública e da conectividade no Brasil sob o pesadelo que foi o governo Bolsonaro. Registrei essa reflexão no meu Diário da China, publicado na Revista Fórum, onde compartilhava a minha experiência em um país tão........

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