Trump entrou na eleição. Xi Jinping observa
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por uma hora e 20 minutos, na sexta-feira, 21 de agosto. O telefonema foi descrito pelo governo brasileiro como amistoso e cordial. Os dois presidentes discutiram as tarifas impostas pelos Estados Unidos, concordaram em preservar as relações comerciais e suas equipes retomaram as negociações.
Foi um movimento importante. Lula reabriu um canal direto com Trump sem aceitar suas acusações, recuar na defesa da soberania ou interromper a aproximação do Brasil com a China e os BRICS. Mas uma conversa cordial não encerra uma ofensiva política.
As tarifas continuam em vigor. As sanções, as restrições diplomáticas e as pressões contra autoridades brasileiras não desapareceram. Tampouco mudou a escolha política feita pela Casa Branca: Donald Trump apoia Flávio Bolsonaro e deseja vê-lo derrotar Lula em 4 de outubro.
A Reuters registrou uma advertência decisiva: integrantes do governo brasileiro não esperam mudanças substanciais nas tarifas antes da eleição. O telefonema, portanto, abriu uma negociação, mas não retirou de cena o instrumento de pressão.
Pode ter havido uma trégua. Mas o que está em jogo é muito maior do que o comércio entre os dois países.
A China acompanha a eleição
No dia seguinte ao telefonema, a CGTN, rede internacional de televisão ligada ao Estado chinês, exibiu um debate sobre a crise entre Brasil e Estados Unidos. O título do programa formulava a questão central: “trata-se apenas de um conflito em torno das eleições ou de uma disputa pelo poder no hemisfério?” Especialmente pelo Brasil.
Participaram do debate o cientista político Vinicius Rodrigues Vieira, o analista chileno Francisco Dominguez e o historiador norte-americano Peter Kuznick. Dominguez situou as tarifas dentro de uma estratégia mais ampla: a tentativa dos Estados Unidos de restaurar sua hegemonia sobre a América Latina e impedir a consolidação de uma ordem multipolar. O Brasil seria o alvo principal porque reúne dimensão continental, peso econômico, liderança regional, presença decisiva nos BRICS e uma relação estratégica crescente com a China.
Kuznick foi mais direto. Para ele, as tarifas constituem uma interferência na política interna brasileira, destinada a criar um ambiente econômico e político que reduza as possibilidades de reeleição de Lula.
A decisão editorial da CGTN de exibir o debate, um dia depois da conversa entre Lula e Trump, não deve ser ignorada. A China acompanha atentamente a eleição brasileira.
Pequim sabe que o confronto não se limita a Lula e Flávio Bolsonaro. A eleição decidirá se o Brasil continuará a defender uma política externa autônoma, fortalecer os BRICS e ampliar suas relações com a China ou alinhar-se incondicionalmente a Washington.
Trump quer derrotar Lula. Mas precisa também de alguém disposto a governar o Brasil de acordo com os interesses estratégicos dos Estados Unidos. Esse candidato já existe. Tem nome e sobrenome: Flávio Bolsonaro.
Preservar, libertar, devolver, realinhar
Flávio Bolsonaro apresenta-se como........
