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Trump entrou na eleição. Xi Jinping observa

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25.08.2026

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por uma hora e 20 minutos, na sexta-feira, 21 de agosto. O telefonema foi descrito pelo governo brasileiro como amistoso e cordial. Os dois presidentes discutiram as tarifas impostas pelos Estados Unidos, concordaram em preservar as relações comerciais e suas equipes retomaram as negociações. 

Foi um movimento importante. Lula reabriu um canal direto com Trump sem aceitar suas acusações, recuar na defesa da soberania ou interromper a aproximação do Brasil com a China e os BRICS. Mas uma conversa cordial não encerra uma ofensiva política. 

As tarifas continuam em vigor. As sanções, as restrições diplomáticas e as pressões contra autoridades brasileiras não desapareceram. Tampouco mudou a escolha política feita pela Casa Branca: Donald Trump apoia Flávio Bolsonaro e deseja vê-lo derrotar Lula em 4 de outubro. 

A Reuters registrou uma advertência decisiva: integrantes do governo brasileiro não esperam mudanças substanciais nas tarifas antes da eleição. O telefonema, portanto, abriu uma negociação, mas não retirou de cena o instrumento de pressão. 

Pode ter havido uma trégua. Mas o que está em jogo é muito maior do que o comércio entre os dois países. 

A China acompanha a eleição  

No dia seguinte ao telefonema, a CGTN, rede internacional de televisão ligada ao Estado chinês, exibiu um debate sobre a crise entre Brasil e Estados Unidos. O título do programa formulava a questão central: “trata-se apenas de um conflito em torno das eleições ou de uma disputa pelo poder no hemisfério?” Especialmente pelo Brasil. 

Participaram do debate o cientista político Vinicius Rodrigues Vieira, o analista chileno Francisco Dominguez e o historiador norte-americano Peter Kuznick. Dominguez situou as tarifas dentro de uma estratégia mais ampla: a tentativa dos Estados Unidos de restaurar sua hegemonia sobre a América Latina e impedir a consolidação de uma ordem multipolar. O Brasil seria o alvo principal porque reúne dimensão continental, peso econômico, liderança regional, presença decisiva nos BRICS e uma relação estratégica crescente com a China. 

Kuznick foi mais direto. Para ele, as tarifas constituem uma interferência na política interna brasileira, destinada a criar um ambiente econômico e político que reduza as possibilidades de reeleição de Lula. 

A decisão editorial da CGTN de exibir o debate, um dia depois da conversa entre Lula e Trump, não deve ser ignorada. A China acompanha atentamente a eleição brasileira. 

Pequim sabe que o confronto não se limita a Lula e Flávio Bolsonaro. A eleição decidirá se o Brasil continuará a defender uma política externa autônoma, fortalecer os BRICS e ampliar suas relações com a China ou alinhar-se incondicionalmente a Washington. 

Trump quer derrotar Lula. Mas precisa também de alguém disposto a governar o Brasil de acordo com os interesses estratégicos dos Estados Unidos. Esse candidato já existe. Tem nome e sobrenome: Flávio Bolsonaro. 

Preservar, libertar, devolver, realinhar 

Flávio Bolsonaro apresenta-se como........

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