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No governo Bolsonaro, Vorcaro virou banqueiro. No de Lula, prisioneiro

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11.09.2026

Tem menos de vinte palavras. Entre a primeira e a segunda frase, porém, cabem sete anos da história de Daniel Vorcaro: a transformação do Banco Máxima no Banco Master, bilhões de reais captados no mercado, dinheiro das aposentadorias de servidores públicos, a queda do banco e a prisão de seu controlador. 

E cabem três Bolsonaro: Jair, Flávio e Eduardo. 

Nesta sexta-feira, 11 de setembro, a apenas 23 dias da eleição presidencial, surgiu ainda um fato que dá à frase de Lula uma dimensão eleitoral que ela não tinha quando foi pronunciada: o Brasil descobriu que Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, está sendo investigado pela Polícia Federal em um desdobramento do caso Master. Mas em sigilo. 

A investigação não começou hoje. Começou em julho. 

Vale, portanto, fazer aquilo que uma campanha eleitoral nem sempre permite: parar diante da frase de Lula e conferir os fatos. 

Como Vorcaro virou banqueiro 

Daniel Vorcaro começou a adquirir participação no Banco Máxima antes da posse de Jair Bolsonaro. Mas foi em 2019, já no governo Bolsonaro e durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, que recebeu autorização para assumir o controle da instituição. Não foi automático.  

Em fevereiro de 2019, o Banco Central recusou a transferência porque os compradores não haviam demonstrado satisfatoriamente capacidade econômico-financeira e a origem dos recursos. 

Oito meses depois, em outubro de 2019, a operação foi aprovada. 

Vorcaro virou banqueiro. 

O Máxima já era uma instituição problemática. Sob Vorcaro, porém, começou uma expansão extraordinária. Em 2021 mudou de nome. Nascia o Banco Master. 

O patrimônio líquido, que girava em torno de R$ 200 milhões em 2019, chegou a aproximadamente R$ 4,7 bilhões em 2024. A carteira de crédito saltou de cerca de R$ 1,4 bilhão para R$ 40 bilhões. 

O Master crescia captando bilhões no mercado. 

Entre seus credores apareceriam instituições responsáveis por guardar dinheiro destinado às aposentadorias de servidores públicos. 

Bilhões das aposentadorias e do BRB 

Dezoito regimes próprios de previdência de estados e municípios aplicaram cerca de R$ 1,87 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master, títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. 

O maior investidor foi o Rioprevidência, responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores do Estado do Rio de Janeiro: cerca de R$ 970 milhões. 

A previdência dos servidores do Amapá colocou outros R$ 400 milhões. 

Somente Rio e Amapá transferiram, portanto, cerca de R$ 1,37 bilhão das reservas previdenciárias de seus servidores para títulos do banco de Vorcaro. 

Também entraram recursos das previdências do Amazonas e de diversos municípios. 

Mas existe outra ligação, muito maior, entre o Master e o patrimônio previdenciário público. 

O Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, Iprev-DF,........

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