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Flávio Bolsonaro volta a pedir intervenção dos EUA no Brasil

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29.05.2026

A decisão de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não acontece em um momento qualquer. 

Ela ocorre em pleno processo eleitoral brasileiro, quando dois nomes concentram as atenções da disputa presidencial: Lula, que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita e herdeiro político do bolsonarismo. 

O detalhe decisivo é que a medida não surgiu de uma solicitação formal do Estado brasileiro. Foi defendida publicamente por Flávio Bolsonaro durante sua viagem a Washington. Dias depois, o governo Trump anunciou exatamente aquilo que o pré-candidato disse que havia pedido. 

Primeiro, Flávio apareceu ao lado de Trump no Salão Oval da Casa Branca. Depois, reuniu-se com Marco Rubio e J.D. Vance. Em seguida, Washington anunciou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Por fim, Eduardo Bolsonaro comemorou a decisão afirmando que as facções poderiam ser combatidas “como os Estados Unidos combateram Bin Laden”. 

A pergunta deixa de ser apenas policial. 

Se o objetivo era combater organizações criminosas brasileiras, por que a iniciativa partiu de um candidato à Presidência da República em plena campanha eleitoral? E por que a resposta veio diretamente da maior potência militar do planeta? 

Trump como tábua de salvação 

A viagem de Flávio aos Estados Unidos não ocorreu em momento de força política. 

O pré-candidato desembarcou em Washington quando sua campanha atravessava a mais grave turbulência desde o início da corrida presidencial. O desgaste provocado pelas revelações envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e a proximidade entre personagens centrais do caso e o universo bolsonarista atingiu diretamente sua candidatura. 

Pesquisas recentes passaram a mostrar Lula ampliando vantagem enquanto Flávio enfrenta dificuldades crescentes para manter o desempenho esperado por seus aliados. 

Foi nesse contexto que o senador correu para o centro do poder da ultradireita global. 

A fotografia no Salão Oval, os encontros com Rubio e Vance e o anúncio posterior da medida permitiram a Flávio substituir, ainda que momentaneamente, o noticiário negativo no Brasil por uma imagem de prestígio internacional. O que é importante para o eleitorado bolsonarista raiz. 

Tudo indica que a classificação do PCC e do Comando Vermelho já vinha sendo discutida nos círculos de Trump, Rubio e Vance. Não foi Flávio que concebeu a iniciativa. Washington já está a tempos elaborando a medida para ser adotada no momento mais conveniente. Mas o candidato da extrema direita brasileira tratou de apropriar-se politicamente dela e apresentá-la como prova de influência junto à Casa Branca. 

Bernardo........

© Brasil 247