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A sombra de Washington sobre a eleição brasileira

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03.06.2026

Em 2022, Biden ajudou a fechar a porta ao golpismo no Brasil. Em 2026, com Trump de volta à Casa Branca, a aproximação entre Washington e o bolsonarismo levanta uma pergunta inquietante: o que acontece se Lula continuar crescendo nas pesquisas? 

Uma das razões pelas quais o golpe de 8 de janeiro fracassou raramente aparece com a força que merece nas análises sobre a crise brasileira. Naquele momento decisivo, os Estados Unidos eram governados por Joe Biden. 

Enquanto Jair Bolsonaro colocava em dúvida o sistema eleitoral, alimentava a suspeição contra as urnas e seus aliados conspiravam contra a democracia, Washington reconheceu rapidamente a vitória de Lula. Diplomatas, emissários e militares americanos enviaram sinais claros de que os Estados Unidos não apoiariam qualquer aventura golpista no Brasil. 

Esse fator internacional ajudou a isolar a extrema direita brasileira. Não foi o único. Mas foi importante. A mensagem era inequívoca: a maior potência militar do planeta reconhecia o resultado das urnas brasileiras. 

Em 2026, o cenário é outro. Donald Trump voltou à Casa Branca. E o bolsonarismo voltou a Washington. 

O mundo mudou desde 2022 

A eleição presidencial brasileira de 2026 ocorrerá em condições internacionais muito diferentes das que marcaram a vitória de Lula quatro anos antes. Naquele momento, o governo Biden tinha interesse explícito em conter a onda autoritária estimulada por Trump, Bolsonaro e outras lideranças da extrema direita internacional. 

Hoje, a Casa Branca é comandada pelo próprio Trump. E Trump não observa o Brasil como um país qualquer. O Brasil é a maior economia da América Latina. É membro dos BRICS. Ampliou sua aproximação com a China. 

Tem peso estratégico em energia, alimentos, minerais, meio ambiente, tecnologia financeira e diplomacia global. 

É também governado por Lula, um presidente que defende uma ordem internacional multipolar e resiste à submissão automática aos interesses de Washington. Nada disso é irrelevante. 

Punhal Verde e Amarelo  

Há um ponto que não pode ser apagado da memória recente. O golpe de 8 de janeiro fracassou também porque, em 2022, a extrema direita brasileira não encontrou em Washington o respaldo que talvez esperasse. 

O governo Biden reconheceu a vitória de Lula e enviou sinais claros aos militares brasileiros: os Estados Unidos não apoiariam ruptura institucional. Esse fator ajudou a conter a aventura golpista. O que estava em jogo não era apenas uma disputa de palácio. 

A Polícia Federal revelou depois o plano Punhal Verde e Amarelo, que incluía Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes como alvos centrais. O Brasil esteve muito mais perto do abismo do que muitos ainda admitem. 

Se o golpe tivesse avançado, o país poderia ter mergulhado numa tragédia institucional comparável, ou pior, aos anos que se seguiram a 1964, quando a ditadura brasileira contou com apoio decisivo dos Estados Unidos. 

É por isso que a pergunta de 2026 é tão inquietante. 

Se em 2022 Biden ajudou a fechar a porta ao golpismo, o que acontece agora, com Trump na Casa Branca e o bolsonarismo novamente buscando apoio em........

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