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A Educação de Henry Adams hoje ou O Império Assassino

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14.03.2026

No momento em que os Estados Unidos da América se revelam como inimigos da humanidade, lembrar daqueles que, dentro da tradição cultural norte-americana, foram críticos dos caminhos que este país estava tomando, muitas vezes já prevendo o que estaria por vir, pode ser de grande importância para compreender melhor o que vivemos hoje. E esta compreensão é fundamental para alimentar a resistência à destruição sem precedentes causada pelo império.

Henry Adams pertenceu a uma das famílias mais ilustres dos Estados Unidos. Ele foi bisneto e neto de dois presidentes – respectivamente John Adams, primeiro vice-presidente e segundo presidente dos EUA e John Quincy Adams, sexto presidente. Seu pai, Charles Francis Adams, foi embaixador na Inglaterra.

Quando Henry Adams nasceu em 1838, segundo David S. Brown, autor da biografia The Last America Aristocrat:

“ Sam Houston ocupava o cargo de presidente da República do Texas; a remoção da Nação Cherokee para o oeste do Mississippi deu origem à angustiante expressão ’Trilha das Lágrimas’ ; Frederick Douglass, portando os documentos de identificação de um marinheiro negro livre, escapou da escravidão; e Abraham Lincoln, então com vinte anos, discursou sobre ‘a perpetuação de nossas instituições políticas’ perante o Young Men’s Lyceum de Springfield, Illinois. Muitos cidadãos americanos mais velhos naquela época haviam sido súditos do Império Britânico (...).”

Em 1918, ano de sua morte, ainda segundo David S. Brown, “ poucas relíquias da república americana primitiva permaneciam. A Ford Motor Company vinha de seu melhor ano até então, vendendo a impressionante quantidade de 735.000 automóveis.”

Henry Adams presenciou a transformação dos EUA de um país agrícola numa potência industrial. E nos deixou um valioso testemunho sobre estes anos, sua autobiografia A Educação de Henry Adams .

Publicada em 1918, ano de sua morte, foi imediatamente reconhecida como uma das grandes biografias escritas nos Estados Unidos. A obra ganhou o prêmio Pullitzer de 1919 e foi colocada em primeiro lugar numa lista dos 100 melhores livros de não ficção em língua inglesa do século XX pela prestigiosa coleção Modern Library.

Mais do que uma autobiografia, é uma grande obra literária repleta de observações profundas e originais sobre o mundo do século XIX. Por exemplo: Henry Adams estudou na Alemanha no final dos anos 1850 e início dos anos 1860 e escreveu o seguinte sobre o incipiente nacionalismo alemão patrocinado pelo Estado que ele encontrou por lá:

“ Todo o sistema de ensino estatal funciona como uma espécie de dínamo para polarizar a mente popular; para orientar e manter suas linhas de força na direção considerada mais eficaz para os objetivos do Estado. O sistema alemão era terrivelmente eficiente. Seu efeito sobre as crianças era lamentável.”

Hoje sabemos no que deu a ‘terrível eficiência’ do sistema alemão.

Sobretudo, A Educação de Henry Adams tem coisas importantes a nos dizer sobre as transformações dos Estados Unidos no seu período de expansão, o que pode nos ajudar a compreender o seu atual perído de decadência.

A Política em Washington

Henry Adams conviveu intimamente com algumas das personalidades mais conhecidas e importantes dos Estados Unidos no século XIX e início do século XX. Foi amigo da escritora Edith Wharton e dos irmãos William e Henry James.

Devido às conexões de sua família, Henry Adams teve acesso aos círculos de poder dos EUA, frequentou presidentes e secretários de Estado e pode observar de perto o funcionamento das engrenagens do poder político norte-americano. Em A Educação de Henry Adams ele nos deixou algumas observações muito pertinentes e reveladoras sobre a organização do poder em Washington. Abolicionista, ele percebeu muito cedo a enorme força política dos escravocatas, comentando:

“O poder dos proprietários de escravos substituiu os reis da dinastia Stuart e os papas romanos.”

Ele também reconheceu que nos EUA:

“A política prática consiste em ignorar os fatos (...)”.

A administração de Donald Trump ignora os fatos de um modo que escandalizaria até mesmo um pessimista como Henry........

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