Artemis II e o lado oculto da China na Lua
O mundo voltou a olhar para o céu, mas nem todos viram a mesma coisa. A NASA lançou esta semana a missão Artemis II, o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. As imagens do histórico lançamento percorreram o planeta em segundos e dominaram a agenda global, com elogios à agência norte-americana que, é preciso dizer, foram tão justos quanto inevitáveis.
O que soou como exagero foram as declarações de alguns funcionários da administração Trump que, fiéis à grandiloquência do presidente, apresentaram a NASA como a única agência que alcançou avanços significativos nas últimas décadas — como se meio século de história espacial pudesse ser atribuído a um único país.
Não seria a primeira vez que a política simplifica — ou acomoda — aquilo que a ciência e a tecnologia levam décadas para construir.
De Pequim, em contraste, adotou-se outro tom. Reconheceu-se a liderança dos Estados Unidos, mas foi destacado um dado menos visível: a China acaba de completar sua décima nona missão espacial de 2026 sem que grande parte do Ocidente sequer percebesse. Afinal, o espaço parece distante dependendo da agenda a partir da qual se observa.
Vinte e quatro horas antes da decolagem da Artemis II, a China lançou o foguete Lijian-2 Yi, com 53 metros de altura e capacidade de carga de oito toneladas. O evento foi apresentado como um passo-chave no desenvolvimento de sistemas de transporte espacial de nova geração. Dias antes, no deserto de Gobi, um Longa Marcha 2C havia colocado em órbita o satélite experimental Shiyan 33, no que foi o voo número 635 de uma família de foguetes que continua sendo a espinha dorsal do programa chinês. Tudo ocorreu sem câmeras globais nem narrativa épica.
O........
