A Doutrina Chinesa versus a Doutrina Donroe
Após o impacto inicial provocado pelo ataque dos Estados Unidos à Venezuela, muitos olhares se voltaram rapidamente para a China, não apenas por seu peso específico no cenário global, mas também por seus vínculos com Caracas, sobretudo na área energética e petrolífera. Consciente dessa expectativa, Pequim reagiu com previsível rapidez e se posicionou entre os primeiros atores internacionais a classificar a invasão como um ato de unilateralismo, intimidação e violação das normas fundamentais do direito internacional. Essa postura — posteriormente reafirmada no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) — ergueu-se como a antítese da atualizada “Doutrina Donroe”, princípio de política externa resumido na frase “América para os americanos”, isto é, para os Estados Unidos.
“Todos os países devem aceitar os caminhos de desenvolvimento de outros países, escolhidos de forma independente por seus povos, além de respeitar o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas. Os países mais importantes, em particular, devem dar o exemplo”, afirmou o presidente Xi Jinping 48 horas após o ataque, em uma mensagem inequívoca que dispensou a menção de nomes para que o mundo soubesse a quem se referia.
“Nunca acreditamos que algum país possa desempenhar o papel de policial do mundo, nem concordamos que alguém se arrogue a condição de juiz internacional”, completou o chanceler Wang Yi, ao defender os princípios do multilateralismo e destacar que a soberania e a segurança dos Estados devem ser protegidas pelo direito internacional, e não pela lei do mais forte.
Nesse sentido, artigos editoriais do aparato oficial de comunicação — Xinhua, Diário do Povo, CCTV, China Daily e Global Times,........
