A parcela do povo que continua sucumbente ao Centrão e à extrema direita a cada eleição
A cada processo eleitoral, o Brasil revive uma disputa entre distintos projetos de país. De um lado, candidaturas associadas à extrema direita e ao Centrão, representadas por caciques da política interesseira e oportunista, entre estes, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex ministro do governo de Jair Bolsonaro e apontado como um dos cotados à vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nesse horizonte obscuro e fisiologista da política, na quinta-feira desta semana, Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) no âmbito da nova fase da Operação Compliance Zero que apura uma estrutura bilionária de ilícitos financeiros, ocultação de bens e corrupção vinculada ao Banco Master e seu proprietário Daniel Vorcaro.
As investigações da PF indicam que o senador recebia repasses mensais de Vorcaro, que poderiam chegar a R$ 500 mil por mês. O senador teria utilizado a função parlamentar para favorecer os interesses do banco. Segundo a PF, ele também teria recebido de Vorcaro um cartão de crédito para despesas pessoais, além do custeio de hospedagens, deslocamentos e outras despesas relacionadas a viagens internacionais de alto padrão. Entre os benefícios estariam uma estadia no Park Hyatt New York, considerado um dos hotéis com diárias mais caras do mundo e gastos em restaurantes de elevado custo.
De outro lado, apresenta-se a tentativa de continuidade e fortalecimento de um modelo de governo representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Modelo que se mostra comprometido com a soberania nacional e com a redução das desigualdades sociais, sustentando-se em políticas inclusivas nas áreas da economia, da educação, do trabalho, da saúde, da cultura e do meio ambiente, além de avanços no âmbito fiscal, com a recente reforma tributária.
Da mesma forma, sobressai a diretriz de não ingerência do atual governo nas atividades da Polícia Federal. A instituição tem preservado sua plena autonomia, o que resultou, nos últimos três anos, em um combate mais rigoroso e intensificado ao crime organizado. Nesse sentido, o contraste com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro é evidente, uma vez que seu governo foi marcado por denúncias de tentativas de interferência na PF para evitar investigações envolvendo seus filhos, entre eles Flávio Bolsonaro, episódio amplamente repercutido após declarações do próprio ex-presidente em reunião ministerial posteriormente divulgada pela imprensa.
Nesse cenário, vale lembrar que, na semana passada, setores da extrema direita e do Centrão comemoraram a derrubada do veto do presidente da República ao controverso PL da dosimetria, mencionado por críticos como uma proposta concebida para reduzir as penas de Jair Bolsonaro e dos demais condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. Também celebraram efusivamente a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, apesar de sua reconhecida trajetória jurídica e do atendimento aos requisitos constitucionais para a indicação.
Entretanto, por ironia do destino, o protagonismo do senador Ciro Nogueira nessas recentes derrotas legislativas do governo teve vida curta. Se há poucos dias o senador articulava com Davi Alcolumbre o bloqueio a Jorge Messias, hoje o cenário é oposto. O outrora vitorioso nas votações encontra-se sob o peso de investigações por condutas ilícitas, exemplificando a volatilidade das alianças e das reputações dos políticos do Centrão, em Brasília.
A partir desses fatos, emerge um questionamento inevitável: que autoridade moral possui um senador investigado por suspeitas de lesão ao patrimônio público para rejeitar a indicação de um jurista de reputação ilibada? As suspeitas de envolvimento de outros parlamentares no esquema ampliam ainda mais os desgastes institucionais que estão por vir.
Sob tal conjuntura, nota-se que........
