A urna no divã
Todos estão de acordo que a direita odeia a urna eletrônica, mas ninguém sabe, de fato, porque. Nem eles.
Odiava. Acho que depois do último domingo, não odeia mais. A suprema ironia de tudo isso: durante 30 anos, toda a família Bolsonaro foi eleita através da urna eletrônica.
Andei pensando tanto nisso que, na noite passada, sonhei que, depois das eleições, uma urna eletrônica foi parar no divã de um psicólogo.
– O que te traz aqui hoje? – perguntou o psicólogo.
– Baixa auto estima. Eu gosto tanto da família Bolsonaro, ajudei todos eles a se elegerem e eles não gostam de mim – lamentou-se a urna – Acredita que um bolsonarista, passou cola no meu número três – concluiu.
– Sério? – indignou-se o psicólogo.
– Um eleitor da extrema direita digitou os números com o cano de uma arma. Pensei que ia morrer. Outro, arrancou o número três do meu teclado – concluiu a urna.
– Imagino seu sofrimento. Deve ter sido duro para você receber votos de Renan e Carlos Bolsonaro, dois cariocas que só conhecem o aeroporto de Santa Catarina – perguntou o psicólogo.
– Pior foi receber o voto de uma mulher que odeia as mulheres, as feministas, os gays, as lésbicas e até os índios. E, pior, defende o direito dos........
