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A tragédia de Juiz de Fora acende alerta para necessidade de política de uso do solo

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28.02.2026

Depois de uma semana de intensos temporais, deixando um saldo de 60 mortes em Juiz de Fora, (Zona da Mata-MG), até esta manhã de sábado (28/02). O sol apareceu tímido, nas primeiras horas do dia e o tempo segue firme, mas a previsão é de pancadas de chuvas fracas, à tarde, para hoje e amanhã conforme a previsão do Climatempo. Dos cerca de 30 desaparecidos, restam três pessoas a serem localizadas e, até o momento, o número de desabrigados e desalojados que até então estava na casa dos 4.200, dobrou para 8.584. As ocorrências atendidas pela Defesa Civil também subiram para 2.367. Na manhã de ontem, houve um desabamento no bairro de Três Moinhos, com mais três óbitos, e outro na manhã de hoje, o que elevou para os 60 óbitos já mencionados.

A primeira visão da manhã, no entanto, foi de uma certa normalidade. De segunda-feira, dia do temporal devastador, até a manhã de ontem, sexta 27/02, havia na cidade um silêncio profundo, um luto espontâneo que os moradores fizeram sem precisar decreto ou aviso. Apenas determinado pela dor que abateu a todos. Não se ouvia um som, além da estridência de sirenes dos bombeiros ou de ambulâncias, nem mesmo um latido de cachorro ou ronco de motores. O trânsito parou. Os bairros pouco atingidos se recolheram à segurança de suas casas, ou idas aos postos de coletas de donativos ou aos mercados que continuavam funcionando. O movimento, no entanto, era muito pouco. Ruas desertas foi o que se viu.

Hoje, sábado, com o sol pálido – embora a previsão de chuva à tarde -, já se pode avistar pessoas com sacolas de compras, movimentação no trânsito e algum barulho de cães e crianças brincando.

É assim que Juiz de Fora atravessa em fevereiro de 2026 um dos momentos mais críticos de sua história. A cidade, que já possui uma geografia desafiadora de vales e encostas, enfrenta um evento climático extremo, que superou todas as marcas anteriores, a partir do início das medições, em 1961. Até o dia 24 de fevereiro, a cidade registrou 579,3 mm de chuva, o maior volume para o mês, desde então. Algumas estações, como a do Marumbi (Zona Leste), chegaram a registrar quase 600 mm. O volume registrado representa mais de 340% da média histórica para fevereiro (que é de 170 mm).

Os chamados para a atuação da Defesa Civil não param, com destaque para soterramentos e deslizamentos de terra.

Moradores e especialistas consideram este o evento mais devastador da história da cidade, superando as grandes enchentes de 1988 e 2007. As regiões Leste e Sudeste foram as mais castigadas. Bairros como Três Moinhos foram inteiramente evacuados. Outros pontos graves incluem Vila Ideal, Esplanada, Paineiras, Democrata e Mariano Procópio.

O Rio Paraibuna saiu de sua calha em diversos trechos, algo que não ocorria com essa magnitude há décadas, isolando bairros inteiros.

Em entrevista ao jornal Tribuna de Minas”, o geógrafo Mateus Cremonese, da Universidade Federal de Juiz de Fora, apontou alguns motivos para a saturação total do solo, o que torna qualquer chuva adicional um risco imediato de novos deslizamentos, independentemente da intensidade. Ele atribuiu às mudanças climáticas, à impermeabilização do solo e à ocupação de fundos de vale........

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