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A história de 1989 se repete, desta vez como farsa

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30.08.2026

Medidas as devidas proporções, a sabatina com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na TV Globo, fez lembrar aos mais antigos o debate entre ele e Fernando Collor, em 1989, às vésperas do segundo turno para a corrida à presidência. Principalmente no dia seguinte. Em Salvador. Na sexta-feira, dia 28, Lula demonstrou o quanto o tratamento recebido por ele, comparado aos demais que já haviam passado pela bancada, o incomodou. Chegou mesmo a lamentar: “eu nunca me preparei tanto”.

Sabia onde iria pisar e por isso seguiu em ritmo de samba de Martinho da Vila: “devagar, devagarinho”. Mas, de cara, foi arrastado para um interrogatório que o fez se sentir “no Ministério Público”, como definiu. Para alguém que embora não demonstre, saiu daquele período traumatizado – e não há como ser diferente -, deve ter sido mesmo um momento difícil. Não pelo conteúdo do que teria de responder, mas pela forma. Aos solavancos, sem deixar tempo de respirar entre uma questão e outra, em tom duro, como já escreveram à exaustão.

Até a sua morte (em 10 de maio de 2022), O jornalista Alberico de Souza Cruz carregou a pecha de ter sido ele o responsável direto, em 1989, pela famosa edição do debate entre Lula e Collor na TV Globo.

Muitos dos que talvez leiam esse texto, não eram nascidos e não podem imaginar o que foi aquele “day after”. Lula que despontava como favorito na corrida presidencial em que o seu crescimento surpreendeu, porque a bola da vez estava com Leonel Brizola, o bicho-papão dos militares, recém-apeados do poder, havia chegado lá. Apostavam que a esquerda descarregaria seus votos nele. Mas deu Lula. E se hoje um ex-torneiro mecânico na presidência da República já causa muxoxos, imaginem naquela época, pós ditadura.

Era preciso que alguém obstruísse o seu caminho. E a hora era aquela. De pé, ambos os candidatos eram mediados pela jornalista Marília Gabriela. Collor – tal como Flávio Bolsonaro em sua vez de ser sabatinado -, parecia confiante. Trazia consigo uma pasta de papel, dessas ordinárias, compradas talvez na última hora numa papelaria dos arredores.........

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