menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma radiografia completa do comércio exterior da China

22 1
27.01.2026

A China e o Brasil divulgaram os dados de comércio exterior de 2025 até dezembro.

Os Estados Unidos, num sinal emblemático de seu atraso burocrático, ainda não publicaram os números completos do ano.

Washington divulgou apenas os dados até outubro, o que nos obriga a trabalhar com estimativas baseadas no acumulado de doze meses entre novembro de 2024 e outubro de 2025.

O retrato que emerge desses números revela uma China em seu momento de maior pujança comercial. O país asiático bateu recordes históricos em corrente de comércio, exportações e superávit.

E o Brasil aparece como peça central nessa engrenagem. A dependência chinesa de produtos brasileiros atingiu patamares impressionantes em 2025.

O Brasil forneceu 73,28% de toda a soja importada pela China. Isso significa que quase três quartos do grão consumido pelos chineses cruzaram o Atlântico a partir de portos brasileiros.

A soja é o produto mais estratégico dessa relação comercial. A China consome cerca de 120 milhões de toneladas de soja por ano, mas produz apenas 20 milhões de toneladas internamente. O país precisa importar os outros 100 milhões de toneladas, o que significa uma dependência de cerca de 85% de fornecedores externos. O grão é a principal fonte de proteína para toda a cadeia de criação animal do país, incluindo frangos, suínos, bovinos, peixes de aquicultura e até animais domésticos. O farelo de soja alimenta centenas de milhões de animais que depois viram carne na mesa dos chineses. Sem a soja brasileira, a segurança alimentar da China entraria em colapso.

O Brasil forneceu também 84,78% de todo o açúcar importado pela China em 2025. A China consome entre 15 e 16 milhões de toneladas de açúcar por ano, mas produz apenas cerca de 10 milhões de toneladas internamente. O país precisa importar entre 5 e 6 milhões de toneladas para fechar a conta, e o Brasil domina esse mercado de forma quase absoluta.

Na carne bovina congelada, a fatia brasileira chegou a 56,10% das importações chinesas. A China consome cerca de 10,7 milhões de toneladas de carne bovina por ano, mas produz apenas 7,8 milhões de toneladas internamente. O país precisa importar cerca de 2,9 milhões de toneladas para suprir a demanda, o que representa quase 30% do consumo total. O........

© Brasil 247