Josué de Castro e a desconstrução da fome: do latifúndio às mudanças climáticas
Rompendo com determinismos biológicos e climáticos, Josué de Castro, o patrono da nutrição, demonstrou que a fome é um produto de estruturas socioeconômicas, como o latifúndio cafeeiro e a monocultura excludente. Essa desigualdade estrutural evoluiu para os desafios atuais, onde a soberania alimentar se torna a principal ferramenta de resiliência diante da crise climática global.
Até a década de 1940, a fome no Brasil era tratada como uma fatalidade geográfica ou uma característica da "indolência" do povo. Josué de Castro, em sua obra seminal Geografia da Fome (1946), subverteu essa lógica ao provar que a fome é uma "patologia social". Ele a definiu como um tabu mantido por elites para ocultar as falhas do modelo de desenvolvimento nacional.
A prática de Castro consistiu em mapear o Brasil pelas suas carências nutricionais. Ele demonstrou que:
- No Nordeste: A fome não era causada pela seca, mas pelo sistema de latifúndio que impedia a policultura de subsistência.
- Na Amazônia: A desnutrição ocorria........
