Rejeição ao STF e comemorações no Senado expõem ofensiva do Congresso contra a democracia e exigem reação política
A rejeição da indicação de Messias para o Supremo Tribunal Federal não foi apenas uma decisão política. Foi celebrada como vitória. E isso diz muito.
O registro está nas redes. Vídeos mostram comemorações explícitas no plenário do Senado, inclusive com protagonismo de Davi Alcolumbre, o que desmonta qualquer tentativa de tratar o episódio como um juízo técnico ou institucional. Trata-se de afirmação de força política, sem disfarces.
O Senado não recusou apenas um nome. Reagiu a uma conjuntura que ameaça interesses concretos. O avanço de investigações sobre corrupção envolvendo emendas parlamentares — esse orçamento opaco transformado em instrumento de poder — atingiu o núcleo de uma engrenagem que articula setores do Congresso, do centrão e da direita.
O ponto é objetivo: o governo não atuou para obstruir essas investigações. Num sistema acostumado à blindagem, isso basta para acionar mecanismos de autoproteção.
Não se trata de retórica. Trata-se de recursos públicos apropriados, operados sem transparência e protegidos por acordos políticos. Quando o Supremo tensiona esse sistema, o sistema reage.
A rejeição da indicação é parte dessa reação.
Há um objetivo imediato: dificultar a ação do STF sobre esses esquemas. Reduzir sua capacidade de interferir. Enviar um recado aos ministros.
Mas há um objetivo mais amplo, e mais decisivo: impor derrotas sucessivas ao governo de Luiz Inácio........
