"'O Código 12' tem tudo para ser o nosso próximo best-seller"
Em apenas 26 anos de existência, a Matrix Editora, de Paulo Tadeu, acumula 1.200 títulos publicados, dentre os quais vários best-sellers nacionais, como “Tremembé” e “Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva”, e 600 autores, dentre os quais Ulisses Campbell e Juliana Dal Piva. Nesta entrevista exclusiva ao programa “Cessar-fogo”, que irá ao ar na próxima sexta-feira, 3 de julho, às 21h, ele conta como consegue publicar, num país que ainda lê pouco, de seis a oito livros por mês. E como Alexandre de Moraes liberou um de seus best-sellers.
EU: Para começo de conversa, eu queria contar o que aconteceu, porque isso nunca aconteceu comigo. Eu mandei para o Paulo os originais de um livro numa sexta-feira de manhã; à tarde, ele já disse: eu quero esse livro. No sábado, mandou o contrato; na segunda-feira, estava revisado, e eu nunca vi acontecer isso. Então, Paulo, eu queria primeiro te agradecer publicamente por tudo isso que você fez, que eu nunca vi. E o mais importante: ele faz tudo isso com uma competência imensa, tudo de uma forma tão competente, porque não é aquela coisa: vamos fazer rápido de qualquer jeito. Não, é o contrário: ele faz rápido e faz de um jeito maravilhoso, incrível.
PAULO TADEU: Realmente, isso que aconteceu com você não é a primeira vez que acontece aqui dentro e, vamos dizer, faz parte do DNA da empresa, do DNA da Matrix Editora, essa agilidade. Principalmente porque alguns temas, alguns livros, precisam dessa agilidade para que eles possam acontecer. A editora foi pensada e foi formatada ao longo desses quase 27 anos de existência para poder atender a esse tipo de demanda e garantir essa agilidade, porque muitas vezes ela é fundamental para o sucesso de uma obra. Então, isso, como eu falei, faz parte aqui do nosso DNA.
EU: Algumas editoras levam meses só para resolver se vão publicar o livro. Então, a minha experiência é assim: você manda um livro, daqui a uns três meses nós vamos dizer se vamos publicar. Outros nem respondem nunca mais.
PAULO TADEU: Isso aí, Alex, aconteceu, na verdade, comigo. Eu montei a editora porque eu era um autor também e tinha passado por experiências diferentes na minha vida como autor. Então, eu tinha publicado um livro por uma editora pequena, dois livros, aliás, por uma editora pequena. A outra experiência que eu tive foi o contrário: eu fui para uma editora grande, o livro saiu por uma editora grande nessa condição. Então, depois de um ano que eu tinha mandado o livro, veio a resposta. Eu nem lembrava mais que eu tinha enviado os originais naquela época, e veio a resposta de que eu, enfim, seria publicado. O livro saiu, ok, foi ótimo, mas aí eu tive uma outra experiência. Como a editora era grande, até o dia de assinar o contrato eu era o cara legal, e no dia seguinte eu meio que virei um número ali dentro, porque eu passo a virar mais um dos autores. E aí, tempos depois, quando eu fiz um quarto livro, eu não consegui espaço nessas empresas para lançar, também não queria voltar para aquele esquema menor que eu tinha. E aí, quando eu recebi os nãos iniciais, os dois nãos iniciais, eu achei que era o momento, então, talvez, de arriscar ter uma empresa minha. Eu nunca tinha pensado em montar uma... Eu queria montar uma empresa, na verdade, mas eu não sabia o que fazer. Na época, eu era publicitário e eu não queria ingressar na área, não queria continuar na área da propaganda, não queria montar uma agência de propaganda, porque achava que naquela época a publicidade estava mudando demais, e realmente ela mudou ao longo desse tempo todo. Aí eu decidi, por conta própria ali, do nada, eu sempre falo que não recomendo isso para ninguém, montar a minha empresa, montar a minha editora com aquele livro inicial que eu tinha. Felizmente, ele deu certo. A partir daquele primeiro livro que lancei, hoje a Matrix Editora está chegando a 1.200 títulos publicados e lançando uma média entre seis e oito livros novos todos os meses.
EU: Para quem não sabe o que é o mercado editorial, é um número realmente bem grande. Outro dia eu estava conversando com uma amiga minha, também dona de uma editora e etc., porque eu fiquei com esse tema na cabeça, escrevendo e procurando várias editoras, né? Então, ela me disse: olha, é uma editora conhecida e tal, eu estou editando um livro por ano. Então, quando você fala em sete a oito livros por mês, isso é fantástico, é espetacular. Quando você começou, esses primeiros livros eram o quê? Esse primeiro livro era de humor, por acaso?
PAULO TADEU: Esses livros iniciais meus eram livros de humor. Eu sempre tive uma pegada mais humorística, e aí eu fiz esse livro, na época, de piadas. Eu tenho um lugar de fala, vamos dizer assim, porque era um livro sobre piadas de português, eu sou filho de portugueses. Mas aí o que eu fiz? Eu fiz um livro de piadas de portugueses e piadas que os portugueses contam dos brasileiros. Então, eu equilibrei um pouco a coisa. Mas, enfim, ele fez sucesso. E aí eu fiz um outro, um segundo livro meu também.
EU: Como se chamava esse primeiro livro?
PAULO TADEU: O primeiro se chamava “Manuel de Piada de Português”. Aproveitei que eu tinha um outro projeto, lancei também, e eles pegaram, os dois pegaram. E aí, aos pouquinhos, fui trazendo outros projetos de outros autores, aos poucos. A partir de então, comecei a publicar, no primeiro ano, acho que três ou quatro no ano, depois comecei a fazer um por mês. E eu tinha o objetivo, Alex, como eu estava falando dessa experiência em duas editoras diferentes, com portes diferentes, eu tinha o objetivo de crescer e de ter um volume maior de produção, porque, do ponto de........
