Mal-estar social e eleições
A última pesquisa Datafolha para o segundo turno, na qual Flávio Bolsonaro aparece com 46% e Lula com 45% — número que se repete se a eleição fosse disputada com Ronaldo Caiado ou com Romeu Zema, que aparecem com 42% — surpreendeu muita gente e semeou um sentimento de apreensão no governo e nos partidos governistas. Mas não surpreendeu os poucos analistas que vêm adotando um olhar crítico, chamando a atenção para a falta de comando, de sentido e para a apatia política no terceiro mandato de Lula.
O governo adotou uma embocadura errada desde o início. Assumiu de forma desprevenida, sem aquela prontidão estratégica que se exige de quem tem o controle do poder político. Foi surpreendido pelo 8 de janeiro, o que revelou falta de prudência e de capacidade preditiva.
Na sequência, o governo e o campo político-partidário que o apoiam adotaram um rosário de renúncias de protagonismo político, terceirizando a luta pela democracia e contra o golpismo ao STF. Negaram-se a impor uma derrota política ao bolsonarismo por tudo o que ele representava de mal nas várias oportunidades que surgiram.
O defensivismo político, com repercussões graves na comunicação e na articulação política no Congresso, foi a marca desse governo e do agregado de centro-esquerda. Não dirigiram o bloco de aliança que se estendia ao centro. Deixaram-se dirigir pelo centro.
Outro erro de embocadura consistiu em que o governo Lula 3 não se assumiu como um governo novo e inovador, capaz de colocar em marcha projetos concernentes à inovação e à mudança. Colocou sua fantasia no passado, na repetição de fórmulas que já tinham dado adeus, pois a realidade dos fatos e o rumo dos ventos haviam........
