Foupana: a sociedade civil fez o seu trabalho. Agora cabe ao Estado
Durante décadas, o Algarve ouviu discursos sobre a necessidade de reforçar as suas reservas de água. Fizeram-se diagnósticos, anunciaram-se estudos e multiplicaram-se promessas. Porém, enquanto a escassez hídrica se agravava, a Barragem da Foupana permanecia adiada.
Agora, o projeto está feito, o Estudo de Impacte Ambiental encontra-se em discussão pública e uma infraestrutura há muito reclamada poderá finalmente ver a luz do dia pela mão do Governo da Aliança Democrática.
Importa recordar que a construção de uma barragem na ribeira da Foupana é considerada desde a década de 1970. O projeto não nasceu, portanto, de uma súbita iluminação ministerial.
Resulta da persistência de autarcas, agricultores, técnicos e dirigentes associativos que recusaram aceitar como inevitável que milhões de metros cúbicos de água continuassem a perder-se no mar, enquanto o Algarve era sujeito a restrições e a agricultura enfrentava uma incerteza crescente.
Entre esses protagonistas está a Associação de Beneficiários do Plano de Rega do Sotavento do Algarve, promotora do projeto. Este facto contém uma importante lição política: a sociedade civil não existe apenas para ser consultada depois de o Estado decidir. Pode identificar necessidades, mobilizar conhecimento, conceber........
