Páscoa: renovar a fé, acolher a paz
A ressurreição de Jesus é o acontecimento que ilumina toda a história, o grande gesto salvífico de Deus. Libertando o Filho da morte, o Pai confirma a vitória definitiva da vida, inaugurando o tempo de uma Aliança Nova e Eterna. Com a ressurreição de Jesus tudo mudou, um novo horizonte se abriu. Com a celebração pascal tudo pode mudar para cada um e para todos, novos horizontes podem ser rasgados, novos caminhos são possíveis. O pressuposto indispensável para que a renovação pascal seja real e efetiva aos vários níveis é o da fé. Sendo assim, desejo que a celebração desta Páscoa signifique para os diocesanos de Vila Real um reavivar da fé, assumida como elemento estruturante da nossa identidade. Celebremos esta Páscoa com renovada alegria e desassombro, conscientes do tesouro que a fé representa e do compromisso que implica.
Aos que se afastaram da vivência da fé cristã, aos que a esqueceram ou caíram na indiferença, dirijo o convite a que venham celebrar a Páscoa connosco e reencontrem o verdadeiro rosto do Ressuscitado. Da mesma forma, a todos os que estão num processo de inquietação e busca espiritual, auguro que descubram o genuíno sentido da fé cristã e sintam que têm lugar na família dos batizados.
A vivência pascal autêntica supõe ainda que nos deixemos inundar pelo Espírito de Jesus Ressuscitado. Nos encontros com os discípulos, Jesus saudava-os, comunicando-lhes a paz. No contexto conturbado que vivemos, com a humanidade envolvida em guerras, em que assistimos ao proliferar das armas e à imposição da lei do mais forte, a Páscoa é um grito em nome da paz, uma proclamação da vida.
Nestes dias, anunciar a boa nova da ressurreição é também proclamar que Jesus nos dá a sua paz para que a saibamos construir no mundo. É proclamar que o amor é mais forte do que a morte e em nome da nova lei do amor somos chamados a defender a vida e respeitar o outro como nosso irmão. A salvação alcançada na Páscoa de Cristo não veio pela força das armas, mas pela força do amor dado até ao fim para que todos tivessem vida.
O acontecimento pascal projetou o seu efeito ao longo da história. Como discípulos de Jesus continuamos a caminhar hoje com a confiança de que o Ressuscitado está connosco até ao fim dos tempos. Um sinal maior da sua presença é precisamente o da Eucaristia. Por isso em cada Domingo, dia do Senhor, os cristãos se reúnem para celebrar a presença do Ressuscitado.
A todos os membros da nossa comunidade diocesana faço o apelo a uma mais forte participação na eucaristia dominical das suas paróquias. Poderemos assim ter celebrações mais vivas, participadas, expressão do verdadeiro espírito pascal. Deixo ainda o convite a que as assembleias sinodais que se realizarão nos vários arciprestados nos próximos meses, sejam, também elas, verdadeiras experiências pascais de uma Igreja mais sinodal e fraterna.
Com uma fé mais viva e pascal, um coração cheio de paz e alegria, com uma forte consciência da comunhão com Cristo e com a Igreja, poderemos caminhar juntos e partilhar uma esperança renovada.
Votos de Santa Páscoa para todos.
