Toni, a liderança de um homem bom
No futebol, estamos habituados a medir a grandeza pelos títulos, pelas vitórias e pelos lugares ocupados na história... raramente começamos por uma qualidade mais difícil de quantificar: a bondade. Toni completou 80 anos e, entre tantas homenagens merecidas, houve uma expressão que me fez pensar: Pedro Proença chamou-lhe um homem bom. Num universo onde a autoridade tantas vezes se confunde com dureza e a ambição com falta de escrúpulos, talvez este seja um dos maiores elogios que se pode fazer a alguém que passou a vida a liderar.
Ser um homem bom não significa ser um líder menos exigente. Significa compreender que podemos exigir sem humilhar, corrigir sem diminuir e vencer sem esquecer quem nos ajudou a chegar lá. E a carreira de Toni oferece-nos uma oportunidade para refletir sobre essa forma de liderar, cada vez mais necessária num futebol onde os resultados parecem justificar quase tudo.
De Mogofores ao Anadia, da Académica ao Benfica, Toni construiu um percurso extraordinário. Na Luz conquistou oito campeonatos nacionais e quatro Taças de Portugal como jogador. Como treinador principal, voltou a ser campeão, em 1988/89 e 1993/94, venceu a Taça de Portugal e esteve ligado a uma das grandes campanhas europeias do clube, mas os títulos, por mais importantes que sejam, não explicam inteiramente a dimensão de quem os conquistou. Há jogadores e treinadores que ficam na memória pelo que ganharam, outros permanecem também pela forma como fizeram sentir aqueles que trabalharam consigo.
Rui Costa conhece bem essa diferença... ao recordar o título de 1993/94, falou de um Benfica marcado por dificuldades financeiras, divisões no balneário e enorme incerteza - atribuiu a Toni uma parte decisiva do mérito por aquela conquista. Mais do que a competência tática, destacou a disponibilidade de alguém que nunca virou as costas ao clube nos momentos difíceis. Liderar quando tudo corre bem é relativamente simples. Liderar quando faltam........
