Já não acompanhamos processos. Consumimos resultados
Há uma palavra que o futebol moderno adora: projeto. Apresentamos treinadores e falamos de projetos. Contratamos jogadores para projetos. Diretores desportivos explicam projetos. Presidentes prometem projetos. Adeptos querem acreditar em projetos. O problema é que nunca falámos tanto em projetos e tivemos tão pouca paciência para os construir.
Hoje, um treinador pode chegar a um clube com um contrato de três anos e descobrir, ao fim de três meses, que aquilo que verdadeiramente lhe deram foram três jogos. Duas derrotas consecutivas transformam dúvidas em crises. Uma exibição menos conseguida coloca em causa o modelo de jogo. Cinco jornadas parecem suficientes para decidir se uma ideia funciona.
Já não acompanhamos processos, consumimos resultados. Porque é que isto acontece? Uma explicação passa pelo futebol, hoje, não estar desligado da sociedade em que vivemos. Pelo contrário, reflete-a. Habituámo-nos à velocidade. No telemóvel, poucos segundos decidem se continuamos a ver um vídeo ou passamos ao seguinte. Consumimos notícias pelo título, opiniões em fragmentos e entretenimento em conteúdos cada vez mais curtos. Esperar tornou-se desconfortável e levámos essa impaciência para o futebol. Queremos que o treinador implemente rapidamente uma ideia, que os jogadores a compreendam imediatamente e que a equipa apresente resultados enquanto tudo isso acontece. Queremos evolução sem erros, aprendizagem sem derrotas e mudança sem instabilidade, mas os processos humanos raramente funcionam assim.
É relativamente fácil contratar um treinador. Muito mais difícil é construir uma equipa. Uma equipa não é apenas a soma da qualidade individual dos seus jogadores. É uma rede de relações, comportamentos, responsabilidades, confiança e conhecimento coletivo. Um jogador precisa de perceber aquilo que o treinador pretende dele, mas também........
