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O que distingue o nosso atleta, treinador ou dirigente?

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09.04.2026

Como é que um país com apenas 10,5 milhões de habitantes (mais 2 ou 3 milhões espalhados pelo Mundo) consegue produzir tanto talento no desporto?

É uma pergunta recorrente que me fazem. Não apenas no futebol, a principal montra, mas no desporto em geral. Há atletas a destacar-se em várias modalidades e nos melhores campeonatos, treinadores e dirigentes a abrir portas em diferentes países e equipas portuguesas a competir com sucesso contra contextos que investem três vezes, cinco ou muito mais.

Ponto de partida: isto é uma excelente notícia. É positivo e motivo de orgulho. E há um fator crítico nisso: alcançamos estes resultados mesmo reconhecendo que não trabalhamos tão bem quanto poderíamos. Mas existe também um elemento de preocupação, com um lado de curiosidade quase enigmático: porque somos fortes em alguns desportos e nas áreas de treino e gestão? O que nos distingue?

Responder a esta questão é decisivo. Em qualquer projeto, a autoanálise permite identificar rapidamente forças e áreas a desenvolver. A minha leitura é que não sabemos, de forma clara, o que nos diferencia, nem como esse diferencial se forma, evolui e sustenta.

Um teste simples: se pedíssemos a cada profissional do desporto em Portugal que escrevesse, num post-it, uma única característica diferenciadora, obteríamos centenas ou milhares de respostas diferentes. Isso indicaria falta de clareza coletiva. E daqui resultam dois problemas: se não sabemos o que nos distingue, dificilmente o conseguimos desenvolver; e torna-se complexo definir estratégia sem um entendimento........

© A Bola