A primeira ceia de Jesus
Lembro-me de o ver jogar. O pelado do velhinho Campo J. Pimenta representava, no início da década de oitenta do século passado, os sonhos de muitos jovens apaixonados pelo futebol.
O Estrela da Amadora dava os primeiros passos na divisão principal, e Jorge Jesus era uma das figuras, aos 26 anos, de uma equipa que fazia finca-pé da teimosia e de criar imensas dificuldades aos mais pintados, sempre que se deslocavam à Reboleira.
Jesus era um dos mais notórios futebolistas da altura, pela sua qualidade e, da mesma forma, pela vasta cabeleira que o distinguia de toda a concorrência. Sinais, imagens de uma marca que haveria, muitos anos depois, de permanecer no atleta feito treinador e apostado em ultrapassar fronteiras para assinar uma carreira de prestígio.
Mário Rui, em 1990 presidente do Amora Futebol Clube, viu em Jesus a figura ideal para reformular o plantel da Medideira, dando-lhe a mão para a primeira experiência a partir do banco de suplentes.
O que vos quero dizer é que nada, absolutamente nada na carreira de 36 anos como treinador de futebol, me surpreende no amadorense sonhador. O carisma, a visão tática, a relação com os jogadores, a construção de balneários coesos e impenetráveis. Afinal, as principais caraterísticas que marcaram (e continuam a fazê-lo) um percurso que deu títulos maiores em Portugal, no Brasil, na Arábia Saudita e na Turquia. Por onde passou, permitiu-se deixar marca, ainda que, para que implementasse as suas ideias, o seu estilo e a sua imagem, tenha tido necessidade de dar murros na mesa, muito para lá, até, da espuma dos dias que a comunicação social tem acesso.
Porque,........
