O futebol português como novo território de media
Durante décadas, o futebol foi tratado sobretudo como um produto desportivo, um espaço de paixão, rivalidade e entretenimento. Mas essa visão já não chega para explicar o que hoje está em causa. A iminente centralização dos direitos televisivos em Portugal (prevista para a época 2028/2029) não representa apenas uma mudança estrutural no modelo de distribuição. Representa, acima de tudo, uma oportunidade para reposicionar o futebol como um verdadeiro ecossistema de comunicação. E, para as marcas, isso altera completamente o jogo.
O modelo atual, assente na negociação individual dos direitos, ajuda a perceber porquê. Ao funcionar de forma fragmentada, acaba por diluir valor e limitar o potencial colectivo do produto. Essa fragmentação traduz-se não só numa menor capacidade de escala, mas também numa desigualdade significativa na distribuição de receitas, já que cerca de 57% das mesmas estão concentradas nos três grandes clubes, o que resulta num produto globalmente menos competitivo, menos consistente e, inevitavelmente, com menor valor lá fora.
É aqui que a centralização ganha um peso estratégico, já que permite uma transição clara de uma lógica de clubes para uma lógica de liga. E essa mudança não é apenas administrativa, é também estrutural, pois significa passar de fragmentação para escala, de dispersão para coerência, de valor individual para força coletiva. Basta olhar para o........
