Sortear o apito para devolver a confiança
Enquanto andamos entretidos com os jogos deste Campeonato do Mundo, o futebol português voltou a entrar numa daquelas fases negras em que a bola ainda mal começou a rolar na nova temporada e já o ambiente competitivo surge contaminado por suspeitas, comunicados, denúncias, processos de inquérito e interpretações conspirativas. É quase sempre assim entre nós: antes do primeiro apito, do primeiro golo e dos primeiros pontos conquistados dentro de campo, já se procura condicionar o que há de vir com jogadas fora das quatro linhas.
A demissão de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol não deve ser tratada como uma mera divergência pessoal ou interna, como uma simples incompatibilidade entre pessoas ou como mais uma convulsão nos corredores da Cidade do Futebol. Quando um responsável técnico da arbitragem abandona funções por alegada quebra de confiança institucional, quando a própria Federação Portuguesa de Futebol entende remeter, parece, para sua própria defesa, factos ao Ministério Público, quando o Conselho de Justiça abre um processo de inquérito para averiguações e quando, paralelamente, se discute se estamos perante uma tentativa de golpe interno para afastar Luciano Gonçalves da presidência do Conselho de Arbitragem, já não estamos no simples plano da espuma dos dias. Podemos, sim, estar perante manobras veladas de condicionamento do início da época desportiva, com potenciais ganhos de causa no plano desportivo.
O futebol português tem demasiada história, muitos traumas e memória acumulada para fingir que uma situação desta natureza não produz efeitos imediatos sobre a confiança dos clubes, dos árbitros, dos jogadores e, sobretudo, dos adeptos.
Rui Santos, no seu estilo frontal e tantas vezes incómodo para o conforto dos poderes instalados, escreveu na passada sexta-feira sobre uma pretensa tentativa de golpe........
