Do maior Mundial ao Portugal de Jorge Jesus
O maior Campeonato do Mundo de sempre terminou com a Espanha justamente coroada campeã e com uma primeira conclusão que não deve ser contaminada, nem pelo conservadorismo daqueles que resistem a qualquer mudança, nem pelo deslumbramento institucional de quem confunde o crescimento da competição com o progresso.
O alargamento a 48 seleções não destruiu o Mundial, não diminuiu a importância do título e não transformou a prova numa sucessão interminável de jogos sem interesse. Pelo contrário, trouxe mais países, mais geografias, mais multiculturalismo e uma representação mais próxima da dimensão verdadeiramente universal e democrática do futebol.
É também aqui que o alargamento encontra a sua melhor justificação: permitir que o Campeonato do Mundo pertença um pouco mais ao mundo, que outros povos deixem de assistir à festa pela televisão e passem a fazer parte integrante dela, que uma criança na Praia, em Willemstad ou em Tasquente possa ver a sua bandeira erguida no mesmo palco onde jogam os países que, durante décadas, monopolizaram o acesso às grandes competições. O mérito do novo formato não se deve resumir aos milhões de receita, está nessa democratização da esperança e do sonho.
Importa, porém, reconhecer que, numa fase de grupos em que 32 das 48 seleções seguiam em frente, houve encontros em que o risco de eliminação demorou demasiado tempo a tornar-se verdadeiramente presente. Houve jogos com notório desequilíbrio competitivo, deslocações longas e exigentes, jogos realizados sob temperaturas difíceis e pausas de hidratação que, em demasiadas ocasiões, serviram mais a finalidade comercial dos patrocinadores do que propriamente a preservar a integridade física dos jogadores, além de terem quebrado muitas vezes o ritmo do jogo e o ascendente de quem melhor jogava.
Ainda assim, este Mundial confirmou........
