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Os mandamentos de Cristiano Ronaldo — ou o quero, posso e mando do capitão

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09.10.2026

Há coisas que, de tão absurdas, parecem inventadas. O problema é quando são escritas, validadas e publicadas.

A carta de Cristiano Ronaldo, em que conta a sua verdade sobre o episódio que marcou o início desta nova era da Seleção, tem muitas coisas discutíveis. Mas há uma que, para mim, ultrapassa todas as outras: os oito pontos que, segundo o próprio, ficaram acordados com Jorge Jesus para serem ditos pelo selecionador.

É preciso não conhecer minimamente Jorge Jesus para imaginar que ele se sujeitaria ao papel de papagaio de quem quer que fosse.

Cristiano Ronaldo é um jogador extraordinário. É, provavelmente, o maior atleta português de sempre. É uma figura de dimensão planetária e ninguém pode apagar aquilo que fez pela Seleção e pelo futebol português. Mas há uma coisa que o estatuto, os golos, os recordes, as internacionalizações e a braçadeira de capitão não conferem a ninguém: o direito de ser speech writer do selecionador. E é exatamente isso que aqueles oito pontos parecem querer fazer.

Não se trata de combinar factos. Não se trata de esclarecer uma decisão. Trata-se de entregar ao treinador um guião para que ele explique, defenda, elogie e, em alguns momentos, quase santifique Cristiano Ronaldo.

Desde a explicação sobre os 30 minutos que deveria jogar até à comparação com Pelé e Maradona. Desde a justificação para o episódio com os adeptos até à garantia de que Cristiano é o jogador que mais autógrafos dá, mais selfies tira e mais acarinha os adeptos.

Tudo isto deveria sair da boca de Jorge Jesus.

Imagine-se, por um segundo, que Jorge Jesus tinha ido para a conferência de imprensa e lido o ponto 8 tal como está escrito: «Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal.» E depois........

© A Bola