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Hoje e para sempre

18 0
saturday

O Monumental em silêncio.

Na Argentina, um estádio calado parece um erro. Falta qualquer coisa. Um tambor. Uma garganta. Um homem pendurado nas redes. Um pai que ergue o filho recém-nascido nos braços. Mas nesta noite o silêncio tem gente dentro. Tem dor. Tem nostalgia. Tem milhares de lágrimas prontas a saltar da cara, à espera de um gesto que lhes dê licença.

E ali está Messi. Pela última vez.

Há cânticos. Há aplausos. Há um último golo. Quando chega a hora de o ouvir, porém, o Monumental parece uma casa onde alguém acaba de anunciar que vai embora. Ninguém sabe onde pôr as mãos. Ninguém quer ser o primeiro a mexer na cadeira. Basta um ruído para tornar o último tango numa dança demasiado rápida. Acaba quando o árbitro pergunta ao ator principal se pode terminar. É aí que tudo bate mais forte.

Messi segura o microfone. A bola parece-lhe sempre mais fácil. Com a bola pode inventar uma saída. Encontrar uma passagem entre dois corpos. Dar mais um toque. Ali, cada palavra aproxima-se do fim. Diz que gostaria de voltar durante toda a vida. Chama à despedida o dia mais triste da carreira. E admite que não quer deixar o campo.

Um homem que passa a vida a fintar tudo e todos. Um homem que sabe, sente, pensa que este é o momento. E, mesmo assim, naquele instante, esse homem fica preso.

Durante muitos anos,........

© A Bola