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Cristiano Ronaldo: o luto da identidade desportiva

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15.10.2026

Reconhecer que já não se tem as capacidades que nos colocaram no topo do mundo é difícil. Reconhecer e compreender que o tempo está a terminar pode ser doloroso. Não porque não haja nada depois disso, não porque não se possa continuar no topo em outras áreas, mas porque é necessário fazer o luto da única identidade que se teve até então.

Visto de fora, parece simples: reconhecer que o tempo passou, aceitar um papel diferente e escolher o momento de sair. Mas como se abandona aquilo que nos tornou quem somos? Como se deixa uma profissão quando essa profissão ocupa quase toda a resposta à pergunta 'quem sou eu?'

A teoria da identidade, desenvolvida por Sheldon Stryker e aprofundada por outros investigadores, ajuda a compreender esta dificuldade. Os papéis que desempenhamos integram a forma como nos definimos. Quando um deles se torna dominante, a sua perda pode afetar o sentido global de quem somos. No desporto, esta perspetiva permite compreender por que razão deixar de competir pode exigir uma reconstrução pessoal que ultrapassa largamente uma mudança de profissão.

Um atleta pode ter família, interesses e projetos fora do desporto e, ainda assim, organizar a sua vida em torno da competição. Os horários, o corpo, as relações, os objetivos e o reconhecimento convergem para esse papel. Durante décadas, é ali que encontra pertença, competência e........

© A Bola