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A identidade nacional para lá das quatro linhas

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11.06.2026

Há uma diferença que todos sentimos, mesmo quando não a sabemos explicar: a paixão por um clube e a mobilização em torno da Seleção Nacional pertencem à mesma família emocional, mas não são a mesma coisa. Ambas convocam pertença, memória, ritual, sofrimento e celebração. Ambas nos fazem gritar por onze jogadores como se gritássemos por nós. Mas há nelas uma diferença essencial: o clube é paixão, divide para unir; a Seleção é identidade e comunhão, une apesar das divisões.

O clube é uma identidade escolhida, herdada ou territorializada. É, muitas vezes, a primeira grande pertença simbólica fora da família. Herdamo-lo do pai, da mãe do avô, do bairro, da cidade, da camisola vista na infância, do primeiro jogo no estádio, do primeiro herói. Na psicologia social, Henri Tajfel e John Turner explicaram isto através da teoria da identidade social: uma parte daquilo que somos nasce dos grupos a que pertencemos. O nós constrói-se sempre por oposição a um eles. No futebol de clubes, esse mecanismo é evidente. Ser de um clube é também não ser dos outros e tê-los como rivais. O adepto organiza o mundo em cores, cânticos, rivalidades, injustiças, memórias e feridas.

A Seleção funciona de outro modo. Não apaga as rivalidades........

© A Bola