Portugal regressou ao futuro
GRANDE vitória de Portugal em Oslo, ao dia de hoje um dos mais difíceis palcos do futebol europeu para os forasteiros. Depois dos três pontos anémicos conseguidos em Alvalade frente a um País de Gales que já viu melhores dias, Jorge Jesus apresentou alterações de fundo na equipa nacional e a vida correu-lhe bem. Mas será justo resumir tudo ao facto de Cristiano Ronaldo ter visto o jogo do banco? Qualquer explicação que se apoie apenas num pilar será sempre inconsistente, daí que quem quiser, de forma simplista, ir por aí, vai mal.
O que está em causa é muito mais profundo e tem a ver, sobretudo, com a forma como Portugal, com onze jogadores na plenitude das suas capacidades físicas, consegue pressionar alto, prejudicando a qualidade da saída de bola dos adversários, e recuperando a posse mais cedo. Esta forma de jogar, mais de acordo com os padrões das grandes equipas, não permite que dez façam o trabalho de onze, só funciona se houver articulação, solidariedade e entrega.
Com Cristiano Ronaldo, Portugal começa o trabalho defensivo dez metros depois do meio-campo; sem ele, o ataque à bola é feito à entrada da grande área do opositor. Atenção: isto não é um pormenor, é um pormaior, porque mexe nos fundamentos de jogo! Quero com isto dizer que, aos 41 anos, e sem a disponibilidade física de outrora, Cristiano Ronaldo já não........
