Quando a inspiração falha, tem de falar a raça
Há jogos que contam três pontos. E há jogos que contam uma época inteira. Este, o Benfica-FC Porto do último fim de semana, no domingo, era um deles.
Mas tudo isso ficou comprometido demasiado cedo. Uma primeira parte desastrosa deitou praticamente tudo a perder. E não foi apenas uma questão de organização tática ou de decisões técnicas. O problema foi mais profundo. Faltou intensidade competitiva. Faltou a urgência que um jogo desta natureza exige. Faltou, sobretudo, aquela energia que costuma distinguir as equipas que percebem que estão perante um momento decisivo da época.
É verdade que também faltou inspiração. O Benfica foi previsível, lento na circulação, incapaz de acelerar o jogo ou de criar desequilíbrios com regularidade. Houve pouca criatividade e ainda menos capacidade para desmontar um adversário que, nesses momentos, parecia sempre mais confortável dentro do jogo.
Mas a inspiração nem sempre aparece quando queremos. O futebol é feito também desses dias em que o talento não flui com naturalidade. Quando a inspiração falta, têm de aparecer outras coisas. A entrega. A concentração. A agressividade competitiva. A vontade clara de ganhar cada bola dividida. Quando a inspiração falha, tem de falar a raça. E, durante demasiado........
