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Não há amoníaco que chegue para tanta sujidade

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31.03.2026

Há uns anos, era eu uma miúda, bateram à porta de um vizinho e disseram-lhe que a filha tinha sido apanhada a roubar numa loja dos trezentos. A filha, pouco mais velha do que eu, devia ter uns doze anos naquela altura e o roubo, segundo acusava o dono da loja, tinha sido de meia dúzia de batons. Nada de muito valioso, é certo, mas, ainda assim, um roubo. E numa terra pequena e onde toda a gente se conhecia, o dono da loja, por respeito à família, tinha preferido ir avisar directamente os pais a chamar a GNR. Acontece que o meu vizinho, mal ouviu a acusação, saltou em defesa da filha com gritos de «tenho a certeza absoluta de que a minha filha era incapaz de roubar fosse o que fosse» e, a partir daí, gerou-se o caos. Aliás, só graças à intervenção dos vizinhos que acabaram por vir à rua alertados pela gritaria, é que as coisas não escalaram para o confronto físico.

Quando o dono da loja foi embora, o meu vizinho quase espumava de fúria. E fez questão de avisar a vizinhança de que era melhor que ninguém se atrevesse a falar daquele assunto com a miúda. A verdade é que ainda hoje, trinta anos depois, ninguém sabe se a Cláudia pré-adolescente terá ou não roubado a meia dúzia de batons. Mas o que todos sabemos foi que, naquele dia, o pai teve uma atitude absolutamente miserável.

Reparem, o problema nunca foi defender a filha — até porque essa é uma das funções naturais dos pais. O problema foi a recusa em permitir sequer que se investigasse ou que a filha fosse questionada. Porque uma coisa seria dizer «eu não acredito que a minha filha tenha feito uma coisa dessas, mas vou falar com ela sobre isso« ou «só acredito que a minha filha........

© A Bola