As sementes plantadas por Marjane, pela escritora Safaa Dib
Corria o ano de 2007 e estava há um ano a dar apoio de secretariado na Embaixada do Irão em Lisboa. Tinha 24 anos e era o meu primeiro emprego. Era demasiado nova e inexperiente para aquele trabalho e também demasiado nova para reconhecer as complexidades de um regime político que estava a fazer a transição da Presidência reformista e progressista de Khatami para a Presidência repressiva e marcadamente mais religiosa de Ahmadinejad. Entre várias funções, o corpo administrativo tinha de acompanhar as notícias publicadas sobre o Irão na imprensa e foi precisamente nesse ano que o Festival de Cannes atribuiu o Prémio do Júri a uma animação de nome Persépolis. Uma das realizadoras era uma iraniana de nome Marjane Satrapi, radicada em França, e a animação era baseada na sua novela gráfica, publicada em 2000, muito crítica do regime iraniano.
Quando a animação se estreou finalmente num dos festivais de cinema em Lisboa, senti-me perante uma obra-prima que me tocou profundamente. Ali estava alguém proveniente de um país isolado do mundo por ação de um regime islâmico, a partilhar a sua história........
