Democracia, desdiabolização e o estado do mundo. Editorial de Rui Tavares Guedes
A simplicidade é, por vezes, enganadora. E também manipuladora. Ao contrário do que muitos quiseram apressadamente decretar, mal foram conhecidos os resultados de 18 de janeiro, a segunda volta entre António José Seguro e André Ventura não será um duelo, simplista, entre esquerda e direita. O que estará em jogo, a 8 de fevereiro, é muito mais do que isso. Vai muito para lá da normal e até salutar alternância, entre campos opostos, em que se baseiam os regimes democráticos. A escolha é bastante mais radical, mas também, ao mesmo tempo, muito mais esclarecedora: trata-se de optar entre um democrata e um antidemocrata. E é nesse ponto que a discussão deve ser feita e conduzida.
Já todos percebemos, desde o início, que não é isso que André Ventura pretende. O seu foco, declarado mal lhe puseram os primeiros microfones à frente, foi o de se afirmar, a partir de agora, como o “líder da direita”. Um posto para o qual se autonomeou e que contou, de imediato, através do silêncio, com a anuência daqueles que deveriam ser, de facto, os representantes desse espaço........
