Do fogo à Kristin: tragédia anunciada, desfecho por determinar
Milhares de pinheiros foram partidos ao meio pela força do vento num pano de fundo cinzento marcado pela ameaça de novas chuvas. Dezenas de casas com lonas a tapar partes do telhado que voara. Filas de famílias com crianças à chuva esperando a sua vez para encher os garrafões de água nas fontes. Uma azáfama nos centros de distribuição. Cansaço e olheiras nos rostos de quem, há dias, está a tentar gerir a situação, muitas vezes sem dormir. É um cenário de guerra confirmado.
Na localidade de Marrazes, a poucos minutos de Leiria, o ambiente na Junta de Freguesia é frenético. As funcionárias, muitas delas filhas da terra, sabem que não há tempo a perder: todos os minutos contam para preparar a próxima chuvada que aí vêm e tentar que as necessidades mais básicas da população sejam supridas. Nessa manhã, deram o pavilhão desportivo da localidade como perdido para as chuvas. Havia demasiada água e demasiado telhado tinha voado com a tempestade. Mesmo que lá passássemos o dia inteiro a vazar a água, seria em quase em vão. Prontamente, mandaram-nos ir bater porta-a-porta para recolher as necessidades das casa da aldeia: Há luz? Há água a entrar em casa? Tem comida? A realidade é brutal. Filhos que cuidam dos pais idosos que têm de lhes dar banho de bacia com água fria, famílias tentam arranjar os telhados para impedir que ainda mais água caia sob as suas cozinhas, salas e quartos. Eletricidade? Só intermitente. Uma senhora contou-me que a mãe dela, já idosa e acamada por estar doente, morreu no dia........
