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Um Presidente no comboio da crise climática

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23.02.2026

Pela primeira vez na democracia portuguesa, um Presidente da República foi eleito no meio de uma crise climática severa, sem paralelo recente na História. Portugal escolheu o seu novo Chefe de Estado enquanto o País era atravessado por um comboio de tempestades, classificação usada pelas Nações Unidas para descrever a sucessão encadeada de sistemas extremos ainda ativos no território. A eleição não aconteceu apesar da crise, aconteceu dentro dela.

A vitória de António José Seguro não resolve, por si só, os impasses da transição climática. Em Portugal, a Presidência da República não define nem executa políticas públicas setoriais, incluindo medidas de adaptação ou descarbonização. Essas competências pertencem ao Governo e à maioria parlamentar que o sustenta. A Constituição atribui, contudo, ao Presidente um papel determinante na gestão política e institucional de crises, designadamente na declaração e na legitimação dos estados de emergência e na condução simbólica do País em momentos críticos.

Quando o tempo político e o tempo climático se alinham

Projeções do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas da ONU (IPCC) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que os próximos cinco anos deverão situar-se entre os mais quentes já registados, com elevada probabilidade de novas ultrapassagens temporárias do limiar de 1,5°C e intensificação de eventos extremos. É neste ponto que o tempo político e o tempo climático se alinham. O Presidente assume funções num contexto de crise climática já instalada e num horizonte temporal em que, segundo a Ciência, o risco tende a agravar-se ao longo dos próximos cinco........

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