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Entre a pressa e o consentimento, estão os direitos do doente. Opinião de uma advogada

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12.05.2026

Em saúde, não basta conseguir uma consulta. É preciso que a pessoa compreenda o que lhe é dito, saiba que perguntas pode fazer, que documentos pode pedir e que escolhas pode tomar.Quando isso não acontece, o problema deixa de ser apenas clínico. Pode tornar-se jurídico, familiar, laboral, económico e social.Muitos utentes entram no sistema de saúde sem saber que podem pedir esclarecimentos antes de assinar um consentimento, solicitar relatórios, aceder à sua informação clínica, recusar, reclamar ou procurar segunda opinião.Enquanto advogada focada na prevenção do risco e na tomada de decisões, olho para este tema a partir da pessoa que precisa de compreender, escolher e proteger-se.A saúde exige mais do que acesso formal a uma consulta. Exige tempo, informação e possibilidade real de decidir.1. A saúde é um direito, não um favorA Constituição consagra o direito à proteção da saúde. A Lei de Bases da Saúde e a Lei n.º 15/2014, que consolida os direitos e deveres do utente dos serviços de saúde, concretizam esse direito em dimensões práticas como a informação, o consentimento, a recusa, a confidencialidade, o acesso à informação clínica, a reclamação, a literacia em saúde e o tratamento com respeito pela dignidade da pessoa.Isto significa que a saúde não se esgota na existência de uma consulta, de um exame ou de um hospital.Para que o direito seja efetivo, a pessoa tem de conseguir aceder, compreender, perguntar, consentir, recusar e agir de forma esclarecida.Quando alguém sai de uma consulta sem perceber o que tem, o que deve fazer, que alternativas existem ou que sinais de alerta deve vigiar, não estamos apenas perante uma falha de comunicação. Estamos perante uma fragilidade no exercício de direitos.Um sistema de saúde não deve exigir que o utente conheça a linguagem médica, os circuitos administrativos ou os mecanismos legais para conseguir proteger-se.2. O risco nem sempre nasce do ato médicoQuando se fala em risco na saúde, pensa-se muitas vezes no erro médico. Mas essa visão é incompleta.Nem todo o risco deve ser atribuído ao profissional que está diante da pessoa. Muitas situações resultam de condições organizacionais que limitam a atuação dos profissionais: agendas sobrecarregadas, consultas demasiado curtas, equipas insuficientes, falta de continuidade, atrasos em exames, falhas de comunicação, sistemas informáticos pouco eficientes ou decisões........

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