A IA não valorizou as soft skills
Tem sido frequente ler-se que, na era da IA, o mercado de trabalho valoriza sobretudo três competências: comunicação, adaptabilidade e storytelling. Diz-se, deste modo, que a IA veio torná-las mais importantes. À primeira vista, nada de novo.
No entanto, a IA não criou a importância da comunicação, da adaptabilidade ou do discernimento. Tornou impossível continuar a ignorá-las, realçando a importância que sempre tiveram. Dizer que a IA “veio valorizar” estas competências sugere que elas ganharam algo que antes não tinham. A verdade é outra: expôs uma hierarquia que já era falsa. A questão não está nas competências. Esteve em nós, e em décadas de educação e de formação, que trataram como periférico aquilo que se revela ainda mais decisivo. As soft skills não estavam ausentes do discurso educativo ou empresarial, permaneceram, porém, demasiadas vezes, num plano secundário relativamente ao que era mais fácil ensinar e avaliar.
A expressão soft skills, por oposição a hard skills, ajudou a instalar essa hierarquia. De um lado, os conhecimentos técnicos, mensuráveis e certificáveis. Do outro, as competências relacionais, remetidas para a categoria do “desejável” e, até, “subjetivo”. Com o tempo, esta distinção foi ampliando o seu campo semântico, deixando de ser neutra.
A IA já........
