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A praia é de todos. E isso é política. Crónica de Margarida Davim

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21.08.2026

Avançamos pelo passadiço de madeira com sacos, guarda-sóis e toalhas. A manhã ainda desperta, mas o sol já queima. No areal, um bando de gaivotas junto à água, um ou outro guarda-sol já montado e uma criança que brinca. Estendo a toalha no lugar que me parece melhor e sento-me a ver o mar, antes de sair para um passeio. Pouco tempo depois chega um grupo de senhoras mais velhas, mais duas famílias e um casal de adolescentes. Enquanto o dia avança, a praia vai enchendo-se de gente que chega e assenta arraiais. Há os que trazem tendas ou toldos, os que ficam apenas com uma toalha, os que montam cadeiras, os que arrastam pufes, os que estendem panos enormes e os que se limitam a deixar uns chinelos e umas chaves no chão antes de partirem para uma caminhada ou um mergulho.

A praia é o lugar onde cabem todos. Os novos e os velhos. Os que gostam de ocupar espaço e os que preferem trazer pouca coisa. Os que comem sandes e saladas trazidas em tupperwares, os que se enchem de fritos de pacote e os que saem à hora de almoço para a esplanada ou para comer em casa. Os desportistas e os que só trabalham para o bronze. Os que andam pela areia a recolher plástico e os que deixam um rasto de lixo. Os que adoram ouvir música aos berros ou falar ao telefone em alta voz e os que meditam em silêncio em frente às ondas. Os esculturais e os obesos. Os que não largam o livro e os que não deixam o telefone. Os que discutem e os que namoram. Os que mergulham e os que torram. Os que vêm em bandos de amigos e os solitários. Os que têm casa com piscina a poucos metros dali e os que vieram de........

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