Uma Crónica de Dezembro
Não me quero ocupar dos motivos da greve. Digo isto com a solenidade de quem mente. Claro que me quero ocupar dos motivos. Mas não dos motivos estafados pelas televisões e pelos artigos de opinião. Esses são maus e já os sabemos: numa semana um patrão faz um despedimento colectivo, na outra contrata os mesmos como prestadores de serviços — a hora tomando o lugar da jorna, como se o próprio tempo tivesse sido despedido sem justa causa.
Li no Público que, em 1977, 63% dos trabalhadores portugueses estavam sindicalizados. Em 2023, seriam 7,2 por cento. Sete vírgula dois. Um número tão baixo que é só uma vaga tristeza — ou é o número de um país à beira da prostração. No mesmo artigo, Sérgio Monte, secretário-geral-adjunto da UGT, explica que a razão está na miséria e na desesperança: os salários são baixos, as progressões inexistentes, e ninguém está disposto a pagar as quotas do sindicato. É uma explicação racional. E, como quase todas as explicações racionais, insuficiente.
É que às vezes penso que não é só pobreza. É desagregação.
Porque eu não vejo apenas trabalhadores pobres. Vejo trabalhadores sós. Talvez nem sejam trabalhadores. Talvez sejam apenas indivíduos que trabalham. O que não é a mesma coisa. Eu, por........





















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