Os nossos heróis (i)
Lembram-se quando saiu o anúncio da reunião dos Heróis do Mar no Pavilhão Atlântico? Foi uma Quarta-feira febril. Daqueles dias em que queremos saber onde estava cada um quando soube da notícia. Mas foi uma alegria fugaz. Nem quinze dias durou. Nessa outra Quarta — uma Quarta-feira vil, mesquinha, daquelas que só servem para estragar a semana — soube-se tinha ido tudo abaixo. Pelo cano. E assim lá fomos, cabisbaixos, de chapéu e botas de chuva sob as imperdoáveis águas de Abril, rumo às nossas vidas cinzentas.
Só que afinal era verdade.
Não acreditam? Pois creiam. Quase década e meia, quatro filhos, três Presidentes dos Estados Unidos e um sem número de desilusões depois, eis que Pedro Ayres Magalhães, Paulo Pedro Gonçalves, Rui Pregal da Cunha, Carlos Maria Trindade, e António José Almeida se juntaram em público. Seria indecoroso dizer que demorou. Quem leva a sério um artista pontual? A pontualidade, nos artistas, é uma falta de imaginação. Atrasaram-se treze anos. Mas apareceram.
Não foi no Parque das Nações, mas no Calhariz de Benfica. Não estavam em cima de um palco, mas ali mesmo ao nosso lado, por baixo do viaduto da........
