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Já que aqui estamos

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01.04.2025

Por vezes, ponho-me a pensar. Imagino que serei velho, e que daqueles que me viram crescer não resta ninguém. Os prédios não serão os mesmos, os vizinhos, igual. A rua que atravessava, diariamente, sem já nenhuma das famosas pastelarias. A velhinha da casa em frente tossindo o império pela noite fora. Gatos, a quantidade de gatos que a cidade fez. E isto tudo para quê? Quem foi que decidiu, lá nos escritórios dos céus, que determinadas coisas procederiam deste modo e não de outro? É por ordem divina que os homens fumam cigarros às janelas dos domingos, em tronco nu, fitando as decisões de vida que não tomaram? Que todos trabalhamos até às olheiras apenas para chegarmos, exaustos do naufrágio moral, ao próximo mês? Que tudo isto seja, ao mesmo tempo, espetacular e sem sentido algum? Que quem amei – e amei com tal ternura – me tenha desaparecido por........

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