Cem anos depois, Giverny volta a contar a história de Monet
Este ano, assinala-se o centenário da morte de Claude Monet, desaparecido em dezembro de 1926. Um século depois, o vilarejo de Giverny – esse refúgio normando onde o pintor viveu durante 43 anos – volta a ser um centro pulsante da memória artística. Entre exposições inéditas, documentos raros que emergem do passado e figuras esquecidas que regressam ao centro do quadro, Giverny transforma-se, mais uma vez, na paisagem onde Monet continua a ser reencontrado. E neste reencontro, tão vibrante como as suas pinceladas de luz, percebe-se que a história do impressionista não se esgota no mito das ninfeias: há um Monet mais humano, mais frágil, mais luminoso – e mais dependente das pessoas que o rodearam – do que aquele que a posteridade por vezes fixou.
Simplicidade do olhar
O coração das celebrações pulsa em Giverny, no Museu dos Impressionismos, que acolheu a exposição Avant les Nymphéas. Monet Découvre Giverny, 1883-1890. Foram reunidas cerca de 30 obras que regressaram ao cenário exato onde foram criadas – uma oportunidade única de ver, lado a lado, as primeiras impressões de Monet sobre o lugar que marcaria indelevelmente o seu percurso artístico.
A comissária Marie Delbarre explica que esta fase inicial mostra Monet a aprender a paisagem de Giverny, num processo de descoberta visual que abrangia colinas, caminhos rurais, jardins domésticos improváveis e variações de luz que alteravam uma mesma cena ao longo de todo o dia. O diretor do museu, Cyrille Sciama, descreve esta etapa como “uma fonte de inspiração transformadora”, sublinhando que ali nascia a paleta vibrante que caracterizaria as séries da maturidade.
As telas expostas – rios que parecem esconder segredos, pomares que se iluminam ao amanhecer,........
