Um adeus português ao 'one man' Presidente. Opinião de José Carlos de Vasconcelos
1. Os dez anos como Presidente da República de Marcelo Rebelo de Sousa chegam agora ao fim e o novo Presidente, António José Seguro, toma posse no dia 9. E é minha opinião/convicção de que nunca a mudança do chefe de Estado português democraticamente eleito se fez numa linha de tamanha previsibilidade de continuação, no essencial de orientação e comportamento políticos. Em quase tudo, exceto a… loquacidade.
2. Recorde-se que Mário Soares sucedeu a Ramalho Eanes, quando entre os dois havia um flagrante antagonismo, até pessoal, que chegou ao extremo do então líder do PS não ter apoiado, contra o seu partido que apoiou, a recandidatura do militar de Abril e principal “vencedor” de um Novembro visando restaurar Abril e não destruí-lo, como desejavam alguns que agora o comemoram.
Por sua vez a Soares sucedeu Jorge Sampaio, ambos socialistas e ex-líderes do PS, mas com notórias diferenças de estilo e forma de atuação. De par com antigas divergências políticas, que a entrada no PS do ex MES e IS apagou mas não extinguiu – como também atestam as lutas entre Soares/soaristas e ex-secretariado (Vitor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, etc.).
E depois de Sampaio veio Cavaco Silva – que, aliás, tinha sido já candidato presidencial derrotado por Sampaio. Uma “mudança” clara de posicionamento ideológico, não obstante o PSD de Cavaco estar muito mais próximo da social-democracia do que o PSD de Montenegro; dois percursos políticos e duas formas de estar na política muito distintas.
E depois de Cavaco, Marcelo Rebelo de Sousa. Como no caso Soares-Sampaio ambos do mesmo partido, seus ex-líderes e professores universitários. No entanto muito diferentes em quase tudo o resto, em especial no relacionamento com os outros, no modo de encarar a liderança política e a intervenção social.
3. Comecemos por aqui, tentando dar uma breve ideia do que me parece ser o mais relevante e/ou distintivo dos dez anos de presidência........
