Imigração, Montenegro e… Manuela Aguiar. Opinião de José Carlos de Vasconcelos
1. Não vi/ouvi assinalado, na posse de António José Seguro como Presidente da República, um facto tristemente relevante nas relações entre Portugal e o país que representa o melhor da nossa História, do que dela mais honroso ficou, o Brasil. E o “facto” é este: na posse estiveram os Presidentes de todos os países de língua oficial portuguesa (com, e bem, a exceção da Guiné, em ditadura), mas não esteve o Presidente do nosso “país-irmão”, como sempre foi chamado e insisto em chamar-lhe. Nem o Presidente, nem o vice, nem o ministro dos Negócios Estrangeiros, nem um representante especial, como um dos ex Presidentes, José Sarney ou Fernando Henriques Cardoso: apenas o embaixador, como todos os seus colegas creditados em Lisboa.
É sempre possível arranjar explicações “diplomáticas”. Porém, elas não ocultam a lamentável realidade de as relações luso-brasileiras, no ainda mais lamentável quadro das relações entre todos os países de língua oficial portuguesa, não estarem a ser fortalecidas, mas amiúde mesmo degradadas. Não me lembro de ter ocorrido situação semelhante, desde o 25 de Abril. Por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa esteve nas posses de Lula e de Bolsonaro. Lula não vir foi justificado pela visita ao Brasil do Presidente da África do Sul – e sua ausência poderia até compreender-se por lhe ser difícil voltar a um Parlamento no qual foi insultado, até de “ladrão”. Pelo Chega, claro, que de novo, frente à casa da democracia, que o devia ser também de respeito pelos outros, colocou um cartaz com as fotos de Lula e do Presidente de Angola, João Lourenço, acusando-os de “corrupção”. Como, aliás, disso acusou Luís Montenegro em cartazes espalhado por todo o país, por igual impunemente, inclusive do ponto de vista político.
A situação atual no âmbito das relações bilaterais e da “lusofonia” em geral merece, ou melhor: impõe, uma análise dos seus motivos e de........
