Não brinquem connosco! Opinião de José Brissos-Lino
No dia 1 de maio, fui ao teatro ver o “Manual do Bom Fascista”, pelo TAS (Teatro de Animação de Setúbal), numa encenação de Célia David, a partir dum texto de Rui Zink. Trata-se da 152ª produção nestes 50 anos de existência, cumpridos em 2025.
Tive curiosidade em ver o que incomodava tanto o partido Chega de Setúbal que chegou a propor punir o TAS com o corte de apoios devido a esta produção. A peça trata da incoerência e boçalidade do indivíduo que é racista, misógino, politicamente extremista, tendencialmente fascista e que pulula por aí.
Fez-me lembrar da cidadã idosa dum bairro lisboeta que, do nada, resolveu destratar uma mulher negra apenas pela circunstância de se ter cruzado com ela no passeio, atirando-lhe à cara que não gostava de pretas. Lembrei-me também do idoso que há tempos matou a tiro um jovem negro num bairro de Lisboa, sem qualquer provocação e pelo mesmo motivo.
Vieram-me à memória as dezenas de mulheres portuguesas que todos os anos são alvo de violência........
