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Onde deixámos a alma da democracia?

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11.06.2026

A democracia é um modo de organização social diferente dos outros, uma vez que, à primeira vista, tudo nela parece poder definir-se pela estrutura democrática através da qual tendemos a reconhecer a liberdade: eleições, parlamentos, tribunais, governos e constituições. Porém, para que uma realidade democrática realmente aconteça importa perguntar se a liberdade não reside noutra coisa, anterior a todo esse aparelho institucional que apenas organiza e torna visível a democracia.

Neste sentido, precisamente, em Madrid, o Papa Leão XIV, num discurso em que abordou, entre outros temas, os conflitos armados, a urgente crise migratória, a emergência climática, a pobreza persistente e, ainda, a crescente fragmentação das sociedades contemporâneas, destacou uma “profunda crise espiritual e cultural”.

Com esta afirmação, quererá o Papa dizer que as sociedades contemporâneas se tornaram menos religiosas? Que a frequência dos templos diminuiu? Que mulheres e homens esqueceram as possibilidades do impossível que apenas a fé oferece?

Repare-se que, apesar de tudo, os vários fenómenos enumerados pelo Papa como sintomas de mal-estar moderno não parecem decorrer de uma crise religiosa. A verdadeira crise........

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