O insatisfatório 69 de Portugal no Ranking Mundial da Felicidade
Foi lançada, este mês, a mais recente edição (com dados para o ano de 2025) do Relatório Mundial da Felicidade com a chancela da Universidade de Oxford, da Gallup Poll e da ONU.
Desta vez, Portugal surge na posição 69, numa lista que engloba um total de 147 países, em que o mais infeliz é o Afeganistão, o mais feliz, novamente, a Finlândia.
Neste relatório, podemos analisar os diferentes componentes que contribuem para a felicidade, e ver, para cada um desses determinantes, qual a posição relativa de cada país. Esses determinantes são: PIB per capita (que dá uma visão da abundância material média); apoio social (que nos dá uma ideia de quanto podemos contar com a família e amigos para nos ajudarem em tempos de necessidade); esperança média de vida saudável (que nos indica, em média, quantos anos de vida saudável teremos); liberdade (quanta liberdade sentimos para fazer escolhas na nossa vida); generosidade (se doamos ou não dinheiro a instituições do terceiro setor); perceção da corrupção (quão corrupto sentimos ser o nosso país).
Se fizermos esta desagregação para Portugal, constatamos que o indicador em que melhor estamos posicionados é a esperança média de vida saudável, no 22º lugar, e o pior é a percepção de corrupção, em que ficamos no 124º lugar.
Relativamente ao PIB pc, o indicador mais falado e mais tido em conta politicamente, Portugal encontra-se no lugar 32, muito melhor que a posição 69 na felicidade. Também na liberdade, estamos no lugar 27, um lugar positivo.
Se fizermos a comparação ao longo do tempo, constatamos que Portugal está a perder posições na felicidade, pois estávamos no lugar 60 em 2024, no lugar 55 em 2023 e no lugar 56 em 2022 e 2021. Ao mesmo tempo, se olharmos para a nossa posição no PIB pc, constatamos que evoluímos da posição 35 em 2021 para a posição 32 agora (tendo atingido a posição mínima nestes 5 anos, em 2023, com o lugar 37). Ou seja, apesar de estarmos a melhorar a nossa posição no PIB pc, estamos a ficar para trás na felicidade. Isto tem implicações políticas relevantes. Coletivamente, se queremos um Portugal mais feliz, temos que apostar nos determinantes da felicidade em que estamos pior: na percepão de corrupção e na generosidade. Logicamente mantendo a capacidade de progredir em todos os outros (nomeadamente no PIB pc e na Esperança média de vida saudável), Portugal tem que fomentar e facilitar a generosidade e tem que combater, decisivamente, a perceção de corrupção, promovendo a transparência, a eficiência, a justiça e o mérito, tanto na esfera pública como na privada. Um país em que as pessoas sentem que a cunha é dos ativos mais importantes jamais atingirá os topos da felicidade. E mais, quanto menor a corrupção e quanto mais generoso formos uns para os outros, mais se densificará o tecido social, e melhores serão as condições para termos um crescimento económico feliz.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
