Quem passará da fase de grupos?
A luta desesperada entre cinco candidatos, pela possibilidade de passagem à segunda volta das eleições, obrigou-os, numa única campanha, a ter de adaptar o discurso e, com diferença de dias, por vezes, de horas, a enveredar por narrativas diferentes e, às vezes, opostas àquelas com que, originalmente, se tinham apresentado. À partida, havia três candidatos com evidentes possibilidades de disputar o pódio – que, neste caso, tem apenas dois lugares, ouro e prata: Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes e André Ventura.
O primeiro apresentou-se com a imagem do independente que paira acima dos partidos. Era a personalidade de estadista que abominava a pequena política. Forçado, porém, a subir à arena do contraditório, e verificando que a falta de adrenalina não o levaria a lado nenhum, escolheu o momento do debate com um dos adversários diretos – Marques Mendes – para sujar a camisola. Desde então, os ataques têm sido equivalentes, no tom e no conteúdo, aos que se costumam ensaiar nos terrenos que o almirante identificava com a tal pequena política. A mudança de tom feriu Marques Mendes, mas não favoreceu o almirante: afinal, ele era humano, o que não condizia com a construção da sua “persona”. Mais tarde, teve de olhar para um candidato outsider – Cotrim de Figueiredo. A uma semana das eleições, disparava contra o liberal: “Eu não sou um tio de Cascais!” E, também, contra António José Seguro: “Parece estar a concorrer para Miss Mundo.” Nada mal, para quem se considerava acima da pequena política…
O segundo favorito ao pódio, Marques Mendes, planeou uma campanha de estadista e de apoios sólidos junto de camadas diversas da sociedade civil e estribado numa notoriedade sólida e num discurso politicamente correto. A sua alegada “independência”, de que, alegadamente, dera provas “quando era........
